Sobre

Saiba Mais Sobre o Projeto de Investigação

A ALDEIA HISTÓRICA
CIDADE ANTIGA

Idanha-a-Velha foi, em Época Romana, a capital de um vasto distrito administrativo (a ciuitas Igaeditanorum) englobando também terras hoje pertencentes a Espanha. Não se sabe ainda se teve uma ocupação proto-histórica ou se corresponderá a uma cidade romana fundada de raiz, no final do séc. I a.C. A inscrição de 16 a.C. que regista a oferta de um relógio (de sol) aos Igaeditani por um colono de Emerita revela que Igaedis seria capital de ciuitas no momento inicial da província da Lusitânia. A partir de então, a capital dos Igaeditani, localizada estrategicamente no trajeto da via que ligava Emerita (Mérida, Espanha) a Bracara Augusta (Braga, Portugal), terá ocupado um lugar de destaque no interior norte da Lusitania romana. A sua importância é revelada por um conjunto epigráfico excecional (um dos mais numerosos da Hispânia) e por significativas ruínas, entre as quais se destaca a muralha e restos do forum. A centralidade deste local perdurou no tempo. Tomado pelos Suevos na primeira metade do séc. V, a cidade, desde então designada Egitania, terá ascendido a sede de bispado, ainda que a primeira menção documental date de 569. Nas atas do II Concílio de Braga, em 572, conhecemos o primeiro nome de um bispo egitaniense, D. Adoricus. Em 585 foi integrada no reino visigótico, mantendo-se constante a presença dos seus bispos nos concílios de Toledo no decurso do séc. VII. Foram vários os reis visigodos que cunharam aqui moeda (de ouro), de Recaredo (586–601) a Rodrigo (710–711), último monarca visigótico. Deste Período Suevo-Visigótico destaca-se o Baptistério Sul, enquanto os restos dos primeiros templos cristãos da cidade, intramuros, se encontrarão sob a atual igreja de Sta. Maria, construída a partir de uma outra datada dos finais do séc. IX ou inícios do séc. X, onde se cruzam e observam influências cristãs, mas também islâmicas, uma vez que a cidade terá sido tomada por muçulmanos no séc. VIII, passando a ser designada Laydaniya. Foi conquistada pelo rei cristão, Afonso III das Astúrias, no séc. IX. Foi ainda um importante centro Templário, tendo sido doada aquela Ordem, em 1165, pelo primeiro rei português, D. Afonso Henriques. No final do séc. XII deixou de ser sede de bispado e perdeu importância.

Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova), uma das doze Aldeias Históricas de Portugal, é o lugar central desta investigação.

A investigação proposta procura alargar a escala de intervenção de um projeto resultante de uma parceria entre a Universidade de Coimbra, a Universidade Nova de Lisboa, o Município de Idanha-a-Nova e a Direção Regional de Cultura do Centro. Centra-se no estudo da cidade antiga, do seu território e das suas populações, e projeta-se num quadro metodológico inovador, interdisciplinar e diacrónico: interdisciplinar porque articula diferentes investigadores/disciplinas, procurando uma visão integrada do passado; diacrónico porque se inscreve num tempo longo, desde a Época Romana (séc. I a.C.) à Idade Média (séc. XII). Estrutura-se em 3 eixos de investigação: i) a cidade antiga: configuração das morfologias urbanas; ii) o território: da geografia política antiga ao mundo rural e à exploração dos recursos; iii) a população: dos hábitos do quotidiano a uma perspetiva genética sobre a sua origem e mobilidade. A cidade será objeto de um plano de escavações arqueológicas (complementadas por levantamentos Georradar e Laser Scan 3D), na área dos principais espaços públicos na antiguidade. Estas intervenções, já iniciadas, procurarão determinar o processo evolutivo urbano e o contexto histórico que o justificou, assim como as transformações sociais associadas. As escavações permitirão determinar tanto os contactos culturais e comerciais da cidade antiga, como os sucessivos cenários ambientais no decurso do Iº milénio da nossa era. As temáticas analisadas (fórum, muralhas, igrejas cristãs), face às lacunas que encerram, assumem grande relevância na investigação histórica peninsular.

O PROJETO DE INVESTIGAÇÃO

INTERDISCIPLINAR

O PROJETO DE INVESTIGAÇAO

INTERDISCIPLINAR

O estudo do território será feito de forma sistémica, centrado nas estratégias de povoamento e exploração de recursos. Recorrer-se-á a abordagens interdisciplinares que incluem tanto o recurso aos SIG e à teledeteção, como a trabalho de campo. Os espaços funerários conhecidos permitirão estudar a origem da população sob uma perspetiva genética, analisando movimentos migratórios, como seja a chegada dos povos bárbaros. A extração e sequenciação de ADN será realizada no Australian Centre for Ancient DNA, constituindo esta abordagem também um exemplo da participação do projeto em redes de investigação internacionais. O estudo dos materiais arqueológicos será feito também mediante o recurso a procedimentos analíticos da química, da biologia e de outras ciências laboratoriais. Este projeto promove a colaboração interdisciplinar entre as Ciências Humanas e Sociais, mas também com as Ciências Naturais, combinando perspetivas teóricas e metodológicas desenvolvidas no campo da arqueologia com outras utilizadas na geografia, física, biologia e antropologia. Os resultados serão publicados e apresentados em encontros científicos internacionais.

Uma outra dimensão fundamental deste projeto: a divulgação social do conhecimento e a valorização patrimonial. Importa envolver a população local, particularmente as escolas, em torno de um património que lhes pertence, contribuindo para o reforço da sua identidade e coesão social. Importa igualmente produzir conteúdos de divulgação direcionados para os turistas que procuram esta Aldeia Histórica. Os resultados obtidos devem contribuir para contar, de forma atualizada e acessível, a história de Idanha, assim como do seu vasto território, mediante também a sua inserção em redes que a articulem com outros lugares, territórios e comunidades.

A ALDEIA HISTÓRICA
CIDADE ANTIGA

Idanha-a-Velha foi, em Época Romana, a capital de um vasto distrito administrativo (a ciuitas Igaeditanorum) englobando também terras hoje pertencentes a Espanha. Não se sabe ainda se teve uma ocupação proto-histórica ou se corresponderá a uma cidade romana fundada de raiz, no final do séc. I a.C. A inscrição de 16 a.C. que regista a oferta de um relógio (de sol) aos Igaeditani por um colono de Emerita revela que Igaedis seria capital de ciuitas no momento inicial da província da Lusitânia. A partir de então, a capital dos Igaeditani, localizada estrategicamente no trajeto da via que ligava Emerita (Mérida, Espanha) a Bracara Augusta (Braga, Portugal), terá ocupado um lugar de destaque no interior norte da Lusitania romana. A sua importância é revelada por um conjunto epigráfico excecional (um dos mais numerosos da Hispânia) e por significativas ruínas, entre as quais se destaca a muralha e restos do forum. A centralidade deste local perdurou no tempo. Tomado pelos Suevos na primeira metade do séc. V, a cidade, desde então designada Egitania, foi eleita sede de bispado. A diocese da Egitania encontra-se pela primeira vez referida nas atas do concílio de Lugo, em 569, onde teve assento Adoricus – Egitaniae episcopus. Em 585 foi integrada no reino visigótico, mantendo-se constante a presença dos seus bispos nos concílios de Toledo no decurso do séc. VII. Foram vários os reis visigodos que cunharam aqui moeda (de ouro), de Recaredo (586–601) a Rodrigo (710–711), último monarca visigótico. Deste Período Suevo-Visigótico destacam-se dois batistérios, enquanto os restos dos primeiros templos cristãos da cidade, intramuros, se encontrarão sob a atual igreja de Sta. Maria, construída a partir de uma outra dos finais do séc. IX ou inícios do séc. X, onde se cruzam e observam influências cristãs, mas também islâmicas (terá sido mesquita), uma vez que foi tomada por muçulmanos no séc. VIII, passando a ser designada Laydaniya. Foi reconquistada pelos reis cristãos (Afonso III das Astúrias) no séc. X. Foi ainda um importante centro Templário, tendo sido doada em 1165 por D. Afonso Henriques (primeiro rei de Portugal) à Ordem do Templo. No final do séc. XII deixou de ser sede de bispado e perdeu importância.

O PROJETO DE INVESTIGAÇÃO

INTERDISCIPLINAR

Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova), uma das doze Aldeias Históricas de Portugal, é o lugar central desta investigação.

A investigação proposta procura alargar a escala de intervenção de um projeto resultante de uma parceria entre a Universidade de Coimbra, a Universidade Nova de Lisboa, o Município de Idanha-a-Nova e a Direção Regional de Cultura do Centro. Centra-se no estudo da cidade antiga, do seu território e das suas populações, e projeta-se num quadro metodológico inovador, interdisciplinar e diacrónico: interdisciplinar porque articula diferentes investigadores/disciplinas, procurando uma visão integrada do passado; diacrónico porque se inscreve num tempo longo, desde a Época Romana (séc. I a.C.) à Idade Média (séc. XII). Estrutura-se em 3 eixos de investigação: i) a cidade antiga: configuração das morfologias urbanas; ii) o território: da geografia política antiga ao mundo rural e à exploração dos recursos; iii) a população: dos hábitos do quotidiano a uma perspetiva genética sobre a sua origem e mobilidade. A cidade será objeto de um plano de escavações arqueológicas (complementadas por levantamentos Georradar e Laser Scan 3D), na área dos principais espaços públicos na antiguidade. Estas intervenções, já iniciadas, procurarão determinar o processo evolutivo urbano e o contexto histórico que o justificou, assim como as transformações sociais associadas. As escavações permitirão determinar tanto os contactos culturais e comerciais da cidade antiga, como os sucessivos cenários ambientais no decurso do Iº milénio da nossa era. As temáticas analisadas (fórum, muralhas, igrejas cristãs), face às lacunas que encerram, assumem grande relevância na investigação histórica peninsular. 

O PROJETO DE INVESTIGAÇAO

INTERDISCIPLINAR

O estudo do território será feito de forma sistémica, centrado nas estratégias de povoamento e exploração de recursos. Recorrer-se-á a abordagens interdisciplinares que incluem tanto o recurso aos SIG e à teledeteção, como a trabalho de campo. Os espaços funerários conhecidos permitirão estudar a origem da população sob uma perspetiva genética, analisando movimentos migratórios, como seja a chegada dos povos bárbaros. A extração e sequenciação de ADN será realizada no Australian Centre for Ancient DNA, constituindo esta abordagem também um exemplo da participação do projeto em redes de investigação internacionais. O estudo dos materiais arqueológicos será feito também mediante o recurso a procedimentos analíticos da química, da biologia e de outras ciências laboratoriais. Este projeto promove a colaboração interdisciplinar entre as Ciências Humanas e Sociais, mas também com as Ciências Naturais, combinando perspetivas teóricas e metodológicas desenvolvidas no campo da arqueologia com outras utilizadas na geografia, física, biologia e antropologia. Os resultados serão publicados e apresentados em encontros científicos internacionais.

Uma outra dimensão fundamental deste projeto: a divulgação social do conhecimento e a valorização patrimonial. Importa envolver a população local, particularmente as escolas, em torno de um património que lhes pertence, contribuindo para o reforço da sua identidade e coesão social. Importa igualmente produzir conteúdos de divulgação direcionados para os turistas que procuram esta Aldeia Histórica. Os resultados obtidos devem contribuir para contar, de forma atualizada e acessível, a história de Idanha, assim como do seu vasto território, mediante também a sua inserção em redes que a articulem com outros lugares, territórios e comunidades.

Projetos Parceiros

AURIFER TAGUS: Minería romana del oro y poblamiento en Lusitania (AuTagus). PIAR. 2019-22. CSIC (Madrid). I. P. F. Javier Sánchez-Palencia y Brais X. Currás.
AVRARIA. El oro de Hispania. Impacto territorial, económico y  medioambiental de la minería del oro en el Imperio Romano  (2019-t1/HUM-14288). Comunidad de Madrid. CSIC (Madrid). I. P. Brais  X. Currás.
LOKI. Economías locales, economía imperial: el Occidente de la  Península Ibérica (siglos II a.C.- II d.C.)  (PID2019-104297GB-I00).  (PROYECTOS DE I+D+i del Plan Estatal de Investigación Científica del  Ministerio de Ciencia e Innovación. España). CSIC (Madrid). I. P. Inés  Sastre.
INDIGENAE. Registros ambiguos: comunidades locales y poblamiento  indígena en los metalla publica del noroeste hispano  (PID2020-114248GA-I00).(PROYECTOS DE I+D+i del Plan Estatal de  Investigación Científica del Ministerio de Ciencia e Innovación.  España). CSIC (Madrid). I. P. Brais X. Currás y Almudena Orejas.

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